1.000 Tenge – 2013 – Cazaquistão
- awada
- 13 de mai. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 25 de dez. de 2025
Cavalos despertam na gente um amor difícil de domar! (Tere Marcellino)


A relação entre o homem e o cavalo vem sendo construída ao longo de milênios e moldou profundamente a história da humanidade. Ainda hoje, cavalo e homem caminham juntos em atividades como a agricultura, a pecuária, o transporte, o esporte e até em terapias de saúde. No início dessa convivência, porém, o cavalo não era um parceiro, mas sim uma fonte de alimento, como tantos outros animais caçados pelo ser humano pré-histórico. Apenas muito mais tarde essa relação evoluiu para a domesticação, transformando para sempre a mobilidade, a guerra, o comércio e a cultura humana. A imagem presente no reverso desta cédula remete a esse passado remoto. Ela se inspira em pinturas rupestres encontradas na região da Anatólia, na atual Turquia, tradicionalmente associadas a cenas de caça e ao cotidiano das comunidades neolíticas. Datadas aproximadamente entre 6.000 e 5.500 a.C., essas representações pertencem ao período final do Neolítico e figuram entre os importantes registros visuais da relação inicial entre o ser humano e os grandes animais. É importante notar que, embora os cavalos apareçam nessas cenas, elas não representam, com segurança, o uso de cavalos já domesticados, mas sim animais selvagens integrados ao universo simbólico e econômico dessas populações. A verdadeira domesticação do cavalo é hoje amplamente associada às estepes da Eurásia, especialmente à região do atual Cazaquistão. Evidências arqueológicas ligadas à cultura Botai, datadas de cerca de 3.500 a 3.000 a.C., indicam que foi ali que o cavalo passou, pela primeira vez, de presa a parceiro do homem. A partir dessas vastas planícies, o cavalo domesticado se espalhou rapidamente pela Europa e pela Ásia, revolucionando deslocamentos, ampliando horizontes e conectando povos distantes. Não é coincidência, portanto, que o Cazaquistão celebre essa herança nesta cédula. O país faz parte do amplo grupo etnolinguístico dos povos turcos, cujas culturas, tradições e modos de vida sempre estiveram intimamente ligados ao cavalo. Além do Cazaquistão, integram esse universo países como Turquia, Azerbaijão, Uzbequistão, Quirguistão e Turquemenistão, todos marcados por uma história em que o cavalo não é apenas um meio de transporte, mas um símbolo de identidade, liberdade e resistência. Finalmente, esta cédula nos lembra que o cavalo não apenas carregou homens sobre o dorso, mas ajudou a carregar a própria humanidade rumo à civilização. Das caçadas primitivas às estepes infinitas, dos mitos às batalhas, dos caminhos de terra às páginas da história, homem e cavalo aprenderam a confiar um no outro.


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